Embaixador dos EUA expressa disposição de não interferir no debate público na França
O embaixador americano Charles Kushner se manifestou disposto, nesta terça-feira (24), a não interferir no debate público na França, durante uma conversa telefônica com o chanceler Jean-Noël Barrot, que algumas horas antes havia exigido explicações por ele não ter comparecido a uma convocação sua.
Barrot convocou para segunda-feira (23) o enviado americano após a embaixada dos Estados Unidos em Paris voltar a publicar comentários sobre morte de Quentin Deranque, ativista de extrema direita de 23 anos.
Mas Kushner --cujo filho Jared é casado com Ivanka, filha do presidente americano Donald Trmp-- não compareceu ao encontro e enviou em seu lugar um subordinado. Já havia sido convocado anteriormente por ter criticado a forma como a França trata o antissemitismo.
O ministro francês de Relações Exteriores solicitou então que Kushner deixasse de "ter acesso direto aos membros do Governo francês" e, no início da manhã desta terça-feira, lhe exigiu, em declarações à rádio France Info, explicações pelo desrespeito às regras "básicas" de conduta e comportamento diplomático.
"O embaixador dos Estados Unidos na França ligou para o ministro. Este reiterou os motivos que tinham levado a uma convocação: a França não pode aceitar nenhum tipo de ingerência ou instrumentalização do seu debate público nacional por parte das autoridades de um terceiro Estado", indicou à tarde o círculo de Barrot, em referência aos comentários sobre a morte do jovem da extrema direita.
O embaixador americano "tomou nota, expressou sua disposição de não interferir em nosso debate público e lembrou a amizade que une França e os Estados Unidos", acrescentou esta fonte.
Uma fonte diplomática indicou à AFP que o embaixador foi representado na reunião por um funcionário da embaixada porque tinha compromissos pessoais a atender.
Deranque morreu em consequência de uma agressão que sofreu em 12 de fevereiro, à margem de uma conferência organizada pela eurodeputada de esquerda radical Rima Hassan em Lyon, no centro-leste da França.
Após sua morte, o governo de Trump condenou o papel do "violento esquerdismo radical" e pediu que os responsáveis fossem levados à justiça.
N.Reyes--BT