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Irã e EUA retomam negociações para evitar guerra
Irã e EUA retomam negociações para evitar guerra / foto: Valentin Flauraud - AFP

Irã e EUA retomam negociações para evitar guerra

Delegações do Irã e dos Estados Unidos se reúnem nesta quinta-feira (26) em Genebra para uma terceira rodada de negociações com o objetivo de evitar uma guerra, sob a ameaça da maior mobilização militar americana no Oriente Médio em décadas.

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Esses diálogos, mediados por Omã, ocorrem em meio às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de atacar o Irã. Na quinta-feira passada, ele deu a Teerã um prazo de 15 dias para chegar a um acordo.

O Irã insiste que as negociações devem se limitar ao programa nuclear, mas os Estados Unidos querem abordar também a questão dos mísseis e o apoio que Teerã dá a grupos armados no Oriente Médio.

As duas delegações mantiveram conversas durante a manhã na residência do embaixador de Omã e realizarão outra rodada de reuniões durante a tarde, entre 16h30 e 17h GMT (13h30 e 14h em Brasília), segundo a Chancelaria iraniana.

O presidente americano, Donald Trump, enviou ao Oriente Médio um dispositivo militar maciço que inclui um porta-aviões, o USS Abraham Lincoln, nove destróieres e outros três navios de combate. Além disso, mobilizou pelo Mediterrâneo o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, insistiu antes das negociações que seu país não busca se dotar de armas nucleares.

"O tema das negociações (...) está concentrado na questão nuclear", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei. Ele afirmou ainda que o país vai pressionar para obter o fim das sanções a que está submetido e pretende reiterar o seu direito "ao uso pacífico da energia nuclear".

Para o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, isso é "um grande problema". "Temos que falar sobre outros temas, que vão além do programa nuclear", advertiu.

- "Oportunidade histórica" -

O Irã desenvolveu "mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases" militares e quer produzir outros ainda mais poderosos, capazes de "alcançar em breve os Estados Unidos", afirmou na terça-feira o presidente Trump em seu discurso sobre o Estado da União.

Teerã, que afirma ter limitado o alcance de seus mísseis a 2.000 km, se defendeu e afirmou que as acusações de Trump são "grandes mentiras".

O Irã dispõe de um amplo arsenal, em particular os Shahab-3, que podem alcançar Israel, seu inimigo declarado, e alguns países do leste da Europa.

Apesar das divergências, o ministro de Relações Exteriores, Abbas Araghchi, considera que um acordo está "ao alcance da mão".

Araghchi, que lidera a delegação iraniana nas negociações, declarou que esta é uma "oportunidade histórica".

O presidente Pezeshkian considera que a negociação permite sair "da situação de 'nem guerra, nem paz'".

"Mas o sucesso das negociações depende da seriedade da outra parte e de sua capacidade de evitar comportamentos e posições contraditórias", ressaltou Araghchi nesta quinta-feira.

- Negociações anteriores -

O governo dos Estados Unidos está representado pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner.

Os dois países já dialogaram recentemente em Omã e em Genebra. Uma tentativa anterior de diálogo chegou ao fim quando Israel atacou o Irã em junho, o que deu início a uma guerra de 12 dias na qual os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas.

Em janeiro, surgiram novas tensões entre Washington e Teerã, quando o governo do Irã reprimiu com violência os protestos que desafiaram o poder dos aiatolás na República Islâmica.

Trump ameaçou intervir no país para "ajudar" o povo iraniano.

Emile Hokayem, analista de Segurança no Oriente Médio para o 'International Institute for Strategic Studies', considera que "a região parece esperar uma guerra neste momento".

Ele afirmou que vários países do Oriente Médio pressionaram em janeiro "para convencer os Estados Unidos" a não atacar o Irã.

"Mas há muita apreensão neste momento porque se espera que, desta vez, a guerra seja maior do que a de junho", completou.

Y.Londono--BT