Putin ameaça interceptar navios ocidentais como medida de retaliação
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou nesta quarta-feira (12) confiscar navios ocidentais como medida de retaliação após a recente interceptação, por parte de países europeus, de embarcações suspeitas de integrar a "frota fantasma" de Moscou.
Suécia e França, entre outros países, interceptaram embarcações suspeitas de fazer parte da frota que Moscou utiliza para contornar as sanções ocidentais impostas após o início de sua ofensiva em larga escala contra a Ucrânia.
As novas sanções aprovadas pela União Europeia (UE) no fim de julho para enfraquecer a importante fonte de receita da Rússia abrem espaço, inclusive, para a venda do petróleo e de outras mercadorias apreendidas a bordo dos navios.
"Constatamos que as autoridades de alguns países (...) consideraram recentemente a possibilidade de apreender nossos navios e vender os bens que nos espoliaram", declarou Vladimir Putin, que chamou as ações de "pirataria" e "banditismo".
"Se isto se concretizar, teremos de responder da mesma forma", afirmou Vladimir Putin durante exercícios navais no Extremo Oriente russo.
Ele acrescentou que Moscou atuará "onde considerarmos necessário e apropriado, em qualquer lugar".
A Suécia decidiu entregar à Ucrânia um cargueiro da "frota fantasma" russa, interceptado no início de março e que, segundo Kiev, transportava trigo ucraniano roubado em territórios ocupados.
Na frente de batalha, os ataques prosseguem entre Rússia e Ucrânia.
As autoridades dos dois países informaram nesta quarta-feira que bombardeios ucranianos mataram duas pessoas, incluindo uma criança de oito anos, na região russa de Krasnodar, no sul do país, enquanto ataques russos deixaram dois mortos e vários feridos na Ucrânia.
Putin fez as declarações a bordo do cruzador russo Varyag, perto da ilha de Sakhalin, onde a Marinha russa realiza exercícios militares.
As manobras acontecem uma semana antes dos exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, organizados para simular uma eventual agressão por parte da Coreia do Norte. A tensão continua elevada na região, já que Kiev e Seul acusam Pyongyang e Moscou de intensificar a cooperação militar.
G.Navarro--BT