Embaixador americano em Israel denuncia cerco de colonos a famílias palestinas na Cisjordânia
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, um ferrenho defensor dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, chamou de "terrorismo" o cerco imposto por colonos israelenses contra várias famílias palestinas.
Desde domingo, colonos israelenses mantêm várias casas palestinas cercadas em Qusra, perto de Nablus, no norte da Cisjordânia, um território ocupado por Israel desde 1967.
Entre as propriedades afetadas está a de um cidadão americano. Os moradores afirmam que ficaram isolados e sem acesso a alimentos ou a outros suprimentos básicos.
"As ações daqueles que cometeram este ato horrível de terrorismo, destinado a intimidar e assediar esta família, são repugnantes", escreveu Huckabee na rede social X, em resposta a críticas sobre a reação de Washington.
As declarações chamam a atenção, já que Huckabee, pastor evangélico e figura próxima ao movimento de colonos, apoiou no passado os assentamentos israelenses na Cisjordânia e rejeitou a criação de um Estado palestino.
O Exército israelense enviou tropas à região na quarta-feira e retirou uma tenda montada pelos colonos, mas testemunhas afirmaram que eles permaneceram no local e prosseguiram com o bloqueio.
Posteriormente, as Forças Armadas anunciaram o envio de um novo batalhão para tentar restabelecer a ordem.
Segundo Huckabee, Israel agiu a pedido dos Estados Unidos, seu principal aliado, apesar das divergências entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu nos últimos meses, em particular no que diz respeito ao projeto americano para a Faixa de Gaza.
Pouco depois das declarações do embaixador americano, várias autoridades israelenses, incluindo o ministro da Defesa, Israel Katz, seguiram para o assentamento de Ganim, no norte da Cisjordânia, que foi reinaugurado nesta quinta-feira.
Ganim foi um dos quatro assentamentos desmantelados em 2005 no âmbito do plano de retirada promovido pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon. Três deles, no entanto, foram reconstruídos sob o atual governo de Netanyahu, em um contexto de aceleração da expansão das colônias israelenses e de legalização de postos avançados construídos sem autorização oficial.
"Retornamos a Ganim e voltamos para ficar", declarou Katz durante a cerimônia.
Atualmente, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais segundo o direito internacional, em um território habitado por quase três milhões de palestinos.
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H.Ospina--BT