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Inspirados pela fé, ativistas judeus enfrentam colonos para proteger palestinos
Inspirados pela fé, ativistas judeus enfrentam colonos para proteger palestinos / foto: ilia YEFIMOVICH - AFP

Inspirados pela fé, ativistas judeus enfrentam colonos para proteger palestinos

Ziva Sharp não deixa dúvidas: foi sua fé judaica que a motivou a ir à Cisjordânia ocupada para defender palestinos ameaçados pela ação de colonos radicais.

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O compromisso assumido por ela e seu grupo teve consequências: os ativistas foram agredidos por colonos que também afirmam agir em nome de sua fé.

Ziva Sharp e outros 30 ativistas fazem parte de um grupo de israelenses que vai regularmente à Cisjordânia para tentar proteger palestinos vítimas de ataques cada vez mais frequentes de colonos violentos.

Os ativistas têm diferentes idades e origens sociais e, em sua maioria, não são religiosos.

Na terça-feira (25), pelo menos cinco deles ficaram feridos quando foram ajudar palestinos que estavam sendo hostilizados por colonos israelenses na localidade de Jannatah, perto de Belém, ao sul de Jerusalém.

Os colonos expulsaram os ativistas da área com violência, atirando pedras e usando spray de pimenta. Um jornalista da AFP que estava no local ficou ferido no queixo após ser atingido com uma pá por uma criança.

Ziva Sharp explica que optou pelo ativismo para "colocar em prática [seu] compromisso com o judaísmo, que é humanista e não violento" e, ao mesmo tempo, "reduzir, na medida do possível, os danos que o povo judeu causa aos palestinos".

"Fomos criados à imagem de Deus para seguirmos os seus caminhos. Os caminhos de Deus são a piedade, a compaixão e a justiça."

O movimento se chama Bnei Abraham (Filhos de Abraão), em homenagem ao patriarca bíblico reconhecido pelas três grandes religiões monoteístas.

- Incidente em Jannatah -

Os ativistas foram a Jannatah para construir uma cerca de proteção ao redor da casa da família Faraj, que afirma sofrer pressão de extremistas judeus.

Mohammed Faraj, integrante da família palestina, foi morto em março durante confrontos com colonos, e vários de seus parentes ficaram feridos. Ninguém foi detido por sua morte, disse à AFP seu irmão Hassan.

Os ativistas foram ao local para retirar obstáculos que impediam o acesso à propriedade da família Faraj depois que colonos instalaram uma construção pré-fabricada em terras privadas da família.

Quando voltaram, os ativistas e os jornalistas que os acompanhavam encontraram seus veículos vandalizados, com vidros quebrados e pneus furados.

Depois que alguns ativistas foram confrontar verbalmente os colonos, dois veículos com reforços chegaram ao local. Muitos dos ocupantes eram jovens vestidos com moletons escuros, que partiram para cima dos ativistas.

Segundo o grupo, o posto avançado de colonos, chamado Kochav Yehuda, já foi desmontado 64 vezes pelas autoridades israelenses e reconstruído em todas elas. A última reconstrução ocorreu na segunda-feira, véspera do incidente.

- "Filhos de Abraão" -

Os colonos que ocupam essas terras pertencem ao movimento extremista "Jovens das Colinas", que busca pressionar os palestinos a abandonar suas casas, muitas vezes por meio da violência, e estabelecer postos avançados ilegais até mesmo segundo a legislação israelense, na expectativa de que posteriormente sejam legalizados e transformados em assentamentos permanentes.

Avishai Liss, de 26 anos, que cresceu em uma comunidade sionista religiosa no norte de Israel, atua no Bnei Abraham há mais de um ano.

"Como judeu e como sionista, sinto que o que está acontecendo hoje na Cisjordânia não é judaico. E certamente não é moral. Por isso venho aqui, para ajudar o povo palestino e defender suas casas dos colonos violentos", declarou à AFP.

Liss reconheceu que seu ativismo provocou tensões nas relações dentro de sua própria comunidade, embora considere que existam muitas maneiras de viver o judaísmo.

"Você pode ser um judeu fascista, como eles (...) e achar que todo o seu judaísmo consiste em conquistar terras e árvores, destruir e usar a violência", afirmou.

"Meu judaísmo consiste em amar a criação de Deus", acrescentou.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. Mais de 500.000 israelenses vivem em assentamentos no território, ao lado de cerca de três milhões de palestinos.

A violência de colonos israelenses contra palestinos aumentou significativamente desde o ataque lançado pelo Hamas contra Israel a partir da Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023.

N.Echeverri--BT