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Portugal lança projeto Valverde Train com comboio-hotel de luxo
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Portugal lança projeto Valverde Train com comboio-hotel de luxo

Portugal prepara-se para integrar o exclusivo grupo de nações com serviço ferroviário de luxo próprio através do projeto Valverde Train. Desenvolvido pela Alva Rail, o empreendimento visa restaurar onze carruagens históricas da Comboios de Portugal (CP) para oferecer uma experiência de slow travel, combinando conforto contemporâneo com a identidade cultural portuguesa em rotas menos massificadas.

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Portugal está prestes a juntar-se a um círculo restrito de países que possuem um serviço de trem de luxo nacional. O projeto, intitulado Valverde Train, está a ser desenvolvido pela empresa Alva Rail, com o objetivo de criar uma experiência ferroviária que tenha forte identidade portuguesa, inspirando-se em nomes históricos como o Orient Express e a Belmond, mas adaptada ao contexto local.

A base do projeto consiste na recuperação de onze carruagens antigas da Comboios de Portugal (CP), que atualmente se encontram fora de serviço. Estas unidades foram fabricadas nos anos 70 pela Sorefame, fabricante portuguesa responsável por boa parte do material circulante histórico da rede ferroviária nacional. Segundo a informação disponível, em 1977 a CP encomendou à antiga Sorefame a produção de vinte automotoras diesel para a rede de via larga. Estas unidades, formadas por duas carruagens e construídas em aço inoxidável, pertencem à série CP 0600 e estrearam-se no serviço comercial em 1979, nas linhas do Oeste e do Douro.

As carruagens vão ser totalmente restauradas e adaptadas, combinando o charme nostálgico das viagens de trem de outras épocas com conforto contemporâneo. O conceito do Valverde Train assenta no chamado slow travel, permitindo que os passageiros pernoitem a bordo enquanto viajam por diferentes regiões do país. A experiência inclui gastronomia regional, vinhos portugueses e atividades ligadas às tradições locais.

O objetivo é ir além dos destinos turísticos mais óbvios. As futuras rotas deverão privilegiar zonas de menor densidade populacional, menos exploradas pelo turismo tradicional. Esta abordagem é apresentada pela Alva Rail como uma alternativa mais sustentável ao turismo de massas, refletida também na escolha de aproveitar material ferroviário já existente em vez de construir carruagens do zero.

Em termos financeiros, o investimento elegível do projeto ronda os 21,6 milhões de euros. Destes valores, cerca de 9,8 milhões provêm de financiamento europeu através do programa COMPETE 2030, o que equivale a metade do valor elegível. O restante financiamento fica a cargo da Alva Rail.

De acordo com a informação oficial associada ao Portugal 2030, o projeto tem início previsto para 31 de agosto de 2026 e conclusão marcada para 30 de agosto de 2029. Em termos de impacto económico, a empresa estima a criação de cerca de 35 postos de trabalho diretos assim que o comboio estiver em pleno funcionamento, além de emprego indireto nas regiões por onde passar.

Apesar do investimento aprovado e do calendário definido, permanecem muitas perguntas em aberto. Não foram revelados os itinerários exatos, as estações de paragem, os preços das viagens nem a data das primeiras viagens comerciais com passageiros.

N.Reyes--BT